Sorrisos que trazem esperança

Mensageiros da Alegria divertem pacientes de hospitais

Bisturis, macas, agulhas e paredes brancas. Esses são alguns dos itens presentes em qualquer hospital. No entanto, muitas vezes um ingrediente especial e determinante na recuperação dos pacientes se faz ausente – o sorriso. É pensando nisso que a Associação Mensageiros da Alegria há mais de 20 anos frequenta hospitais levando diversão a um ambiente que pode ser monótono e desanimador. Utilizando a arte chamada de clown, ou em bom português, fantasiando-se de palhaços, os voluntários buscam levar um novo brilho a quem está passando por um momento delicado de saúde.

O trabalho, que é reconhecidamente um diferencial positivo nos tratamentos, hoje atua todos os dias em diferentes hospitais na cidade do Rio de Janeiro. A presença dos palhaços é concorrida, muitos hospitais solicitam a visita desses voluntários que trabalham à base de muito amor. Com poucos incentivos, é de cartões postais vendidos nas ruas da cidade pelos próprios membros do grupo que surge a forma de sustento da associação.  “Nós nunca aceitamos fazer eventos privados, apesar dos convites. Acreditamos que devemos exercer um trabalho de saúde pública e apesar dos poucos recursos, essa é a essência do Mensageiros da Alegria há décadas e não pode ser perdida”, sustenta Eduarda Rodrigues, coordenadora da associação, pontuando os ideais que são seguidos fielmente pelo grupo.

A falta de dinheiro nunca foi uma desculpa para eles, que também se identificam como grupo teatral. Os participantes contam que exercer esse papel não é uma via de mão única, pois poucas ações são mais realizadoras do que conseguir arrancar o sorriso de uma criança. Atualmente, a Associação envia os animados palhaços a hospitais todos os dias da semana e, apesar de terem foco no público infantil, eles também visitam asilos nos fins de semana e promovem eventos em locais públicos, como praças.

O Hospital Bom Jesus, localizado em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, é um dos locais onde, semanalmente, os mensageiros da alegria levam felicidade de maca em maca. Com palhaçadas, músicas e piruetas, as crianças se divertem. Até mesmo os funcionários sentem-se motivados e acreditam fielmente nos impactos positivos do clown nas alas hospitalares. “A presença deles cria uma quebra na rotina, e dessa forma, os pacientes acabam ficando mais sujeitos à aceitação dos tratamentos. Aqui, somos os vilões e, ao ver os grupos de palhaços, a reação da criança é ficar feliz ao entender que aquele não é um momento que irá sentir dor ou passar por algum tratamento invasivo”, afirma Cecília Fartura, professora de enfermagem que atua com sua turma na ala pediátrica do Hospital Bom Jesus.

A reação desse trabalho com sorrisos é contagiante,  foge completamente do habitual. Com muitas músicas e animação, em poucos minutos, até as crianças mais sérias deixam escapar uma gargalhada, alterando o ambiente que passa a ser muito mais leve, inclusive sendo reconhecido pelos próprios pais e acompanhante. “É uma iniciativa muito linda, anima as crianças e faz bem para elas, levando um pouco de alegria, apesar de todos os problemas. Acho muito positivo e melhora o dia de todos”, conta Felipe Pereira Martins, pai de um menino de 10 anos. No início, a criança ofereceu alguma resistência, mas rapidamente deixou seu celular em segundo plano e passou a participar das brincadeiras trazidas pelos palhaços.

O trabalho levado aos hospitais pelos Mensageiros da Alegria há mais de 20 anos tem muitas demonstrações de sua eficiência e é bastante procurado, no entanto, os recursos são muito limitados e a paixão dos voluntários pelo clown é o alicerce que garante a sobrevivência da associação. “Os postais vendidos pelos membros são a nossa única fonte de renda. O nosso grupo sempre está de portas abertas a novos voluntários que não precisam ter experiência na área, apenas disposição e vontade de arrancar sorrisos”, ressalta Duda. Oferecendo capacitação, maquiagens e transporte, o escritório do grupo, localizado na Lapa, Centro do Rio, espera ansiosamente pessoas que queiram não apenas uma ocupação, mas também a mudança de corpo e alma, que é construída a cada novo sorriso conseguido.

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