Uma paixão chamada Canoa Havaiana

Práticas e estilo de vida promovidos pelo amor a esse esporte

aÉ com o Sol nascendo e apenas sua canoa de companhia, que muitas vezes Jorge Souza de Freitas, 53 anos, rema de Piratininga,Niterói, à Marina da Glória,Rio e Janeiro, para dar aulas de canoa havaiana ou Va’a, como também é conhecida. Os 40 minutos apenas na presença do mar são terapêuticos para o professor e atleta desta modalidade em que não só o desempenho e rendimento estão em jogo, mas também a paz de espírito e a filosofia de vida que o esporte carrega com ele.

A cultura da canoa existe há três mil anos. Eram usadas primariamente pelos povos polinésios para a colonização de novas terras na região da Polinésia (conjunto de ilhas no Oceano Pacífico, entre a Austrália e Estados Unidos, incluindo Hawaii e Tahiti, que faz parte da Polinésia Francesa). A canoa era, portanto, o principal meio de transporte para aquela população. Esse histórico possibilitou a prática esportiva atual e, ainda, a atividade como hobby. Assim, Jorge perpetua a tradição dos que amam remar em meio ao mar.

O professor e atleta que iniciou na modalidade aos 40 anos de idade, possui turmas em Niterói e no Rio de Janeiro,  que vão desde a simples atividade física até o alto rendimento e participação em competições no Brasil e no mundo. “Esse esporte me abriu altas portas. Minha primeira viagem de avião foi por conta dele e tenho um projeto feito na Baixada Fluminense, onde fui criado, para tentar levar a oportunidade que o esporte me deu para outras pessoas também, e isso é muito gratificante”, contou ele.

Antes de entrar na água é preciso passar todas as questões de segurança e, com calma, ambientalizar as pessoas em relação às condições para a prática da canoa. O esporte é para quem quiser, independente de idade, gênero, saber nadar ou não. “No Va’a se trabalha mente, corpo e alma, você interage com a natureza, está com uma equipe que é a sua base, e ainda tem a energia que tudo isso junto envolve. Eu mesmo remei com golfinhos dentro da Baía de Guanabara. Isso é impagável”, completou Jorge. Uma de suas alunas é Lorena Pontes, de 32 anos. Sem histórico relacionado a qualquer esporte, encontrou na canoa uma nova forma de estilo de vida. “Primeiro, muda a relação com nosso próprio organismo, a gente passa a entender as necessidades e sempre alimentá-las, respeitando o corpo como templo já que ele é a nossa maior ferramenta”, afirmou.

Segundo ela, sempre existe o desejo de ter um melhor desempenho e performance e, para isso, é preciso ter um corpo que lhe capacite. Assim, muda-se a alimentação, o sono e se inicia uma outra prática de vida. “O Va’a é coletivo, você não rema sozinho e a principal coisa em estar dentro de uma canoa é ter a sincronia, todo mundo estar fazendo exatamente a mesma coisa. Você e mais cinco são iguais a um, trazendo uma outra noção de coletividade”, acredita Lorena. O raciocínio vale para todas as idades. No auge dos seus 66 anos, Solange tem como filosofia de vida “envelhecer sem ficar velha” e a canoa tem grande relevância nessa trajetória. “O dia que não remo sinto falta de alguma coisa. O esporte já está incorporado na minha vida,  foi nele que me encontrei e me deu uma resposta satisfatória sobre tudo. Espero fazer isso até os últimos dias da minha vida!”, contou Sol

Além de unir aqueles que dividem a mesma canoa, o esporte também agrega pessoas com deficiência. Trabalhar com atletas paraolímpicos foi outra forma que Jorge encontrou de explorar a modalidade. Após ter muitas oportunidades graças ao Va’a, em 2007 decidiu retribuir trabalhando com esses atletas para trazer oportunidades para os que se sentem excluídos de qualquer atividade esportiva. “Consegui muitos atletas nos locais mais inusitados, no trânsito enquanto vendiam bala, entre conhecidos, pessoas com depressão”, disse ele. “Atualmente tenho dois atletas que estão competindo no Japão as mais altas competições da modalidade. Todos eles começaram comigo”.

Um de seus atletas de ponta é André dos Santos, de 44 anos. Paratleta desde 2004, é representante do Brasil em duas confederações, a de canoagem e a de canoa havaiana (CBCa e CBVA’A). Começou a remar no caiaque em 2011 e conheceu a canoa apenas três anos depois. Durante o Campeonato Sul-Americano de 2014, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Jorge o apresentou à modalidade e, depois disso, André se encantou pelo esporte. “Fiquei apaixonado e só quis saber da canoa havaiana”, contou o atleta.

Uma de suas dificuldades atualmente é conciliar a vida profissional com a esportiva, para, assim, conseguir dedicar mais tempo para os treinamentos. Além disso, ter material de ponta para competir é também um grande desafio que ele enfrenta. A meta de André é participar do mundial de velocidade no Havaí, em 2020, e sempre se manter entre os primeiros no ranking, já que tem na canoa sua maior paixão “A canoa representa voltar a viver novamente. Quando nos tornamos deficientes temos a impressão que as portas vão se fechar e ai vem a canoa e nos traz a liberdade de volta ”.

One Reply to “Uma paixão chamada Canoa Havaiana”

  1. Tive a oportunidade de remar na modalidade de canoa Havaiana com o grupo de Escoteiro do Mar 115 Gemar Macahé ,o qual sou diretor técnico em contrução naval e me apaixonei profundamente, pretendemos investir em uma e gostariamos de indicação de empresa fornecedora . Bravo Zulu!

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