Arpoador: Canto de Encontros

Você provavelmente já viu esse visual em algum lugar, mas você sabe de onde foi tirada essa foto?

Arte da capa por Mariana Bittencourt

 

por Marco Serra

Você provavelmente já viu esse visual em algum lugar, seja na internet, televisão ou até no cinema. É um dos visuais mais icônicos do Rio de Janeiro. Mas você sabe de onde foi tirada essa foto?

Morro Dois Irmãos visto do Arpoador

 

O canto esquerdo da Praia de Ipanema é um local de encontros e de muita história. É o lugar onde a cidade e a natureza, o rico e o pobre, o funk e a bossa nova se misturam.

 

Pedra do Arpoador vista de dentro d’água – Foto: Marco Serra

 

A história do Arpoador começa pelo seu nome, que foi batizado assim graças aos caçadores, que ficavam na pedra para “arpoar” as baleias que passavam por ali, próximas à costa. Esses homens eram conhecidos como “arpoadores” e por isso, o local ficou conhecido como a Pedra do Arpoador.

Anos depois, um esporte que nasceu em uma distante ilha no meio do Oceano Pacífico, viu o Arpoador como lugar ideal para se estabelecer no Rio de Janeiro e cativar milhares de praticantes.

O surf encontrou no Arpoador as condições ideais para sua prática. Em dias de mar calmo, ondas ideais para iniciantes se aventurarem no esporte, amigáveis e leves, facilitando o aprendizado. Essas circunstâncias foram essenciais para o crescimento das diversas escolinhas de surf presentes no Arpoador.

 

Aula de surf no Arpoador – Foto: Marco Serra

 

Felipe Guimarães, conhecido como Suíno, é morador do Morro do Pavão – Pavãozinho e viu a oportunidade de criar sua escolinha de surf no Arpoador, gerando emprego pessoas que também moram na comunidade.

 

Felipe levando seu cachorro “Prateado” para surfar – Foto: Marco Serra

 

Nascido na Vila Kennedy (Bangu), Felipe se mudou para a comunidade do Pavão-Pavãozinho com 13 anos. Foi nessa época que teve o primeiro contato com o esporte, graças a amigos que fez no Arpoador.

Depois de dois anos, já começou a ajudar os surfistas mais velhos carregando pranchas. Ele também começou a dar aulas para crianças na escolinha, sem saber que essa seria a sua profissão no futuro.

 

“Com isso, comecei a surfar e, na minha inocência, nem eu sabia que estava aprendendo a minha profissão, que hoje em dia me alimenta, me diverte, e que me permite oferecer, mesmo que seja pouco, um material pras crianças aqui da comunidade que precisam.

     Sem o esporte e o trabalho eu não sei o que seria da minha vida e de outras pessoas que estão envolvidas com a gente aqui.

     Vários professores do Arpoador, antes de entrarem no surf, passaram bastante dificuldade para arrumar trabalho”

Felipe Guimarães – Professor de Surf

 

Hoje, Suíno consegue viver do que ama e ainda incentiva diversas crianças a seguir no caminho do esporte, com a oportunidade de ter acesso ao material que normalmente não teriam. Para ele, essa é a maior importância de sua escolinha, que nasceu justamente do pedido das crianças.

Mas o Arpoador não conquistou seu trono no surf nacional só por isso. Quando chega uma ondulação grande da direção sudeste, esse canto se transforma em uma das melhores ondas do Brasil. Uma esquerda forte, que começa a quebrar na “Terceira Laje”, passa pelo “Jacaré” e corre, perfeita, até a praia. Para os surfistas, a sensação de surfar essa onda do início ao fim é indescritível. Quem conhece, sempre está de olho na previsão do mar, e quando tem onda no Arpoador, todos já sabem onde se encontrar.

 

Crowd intenso no Arpoador – Foto: Marco Serra

 

Além de ser uma onda perfeita, ela também está localizada no meio da cidade, sendo um lugar extremamente urbano. Esses fatores levam o Arpoador a ser uma das ondas mais disputadas da cidade, com um “crowd” intenso em dias de ondas boas ou de mar mais calmo.

 

Arpoador visto de cima – Foto: Reprodução Internet

 

Nas condições certas, o Arpoador funciona com uma hierarquia muito bem definida. Na “Terceira Laje” e no “Pontão/Jacaré” ficam somente os “locais” (pessoas que são conhecidas, respeitadas e que surfam há anos por lá), já mais para o meio ficam os outros surfistas, pegando as ondas que sobraram.

Para tentar evitar essa disputa por ondas, alguns surfistas aproveitam a iluminação instalada na pedra para praticar o esporte durante a noite!

 

Arpoador à noite iluminado pelo holofote – Foto: Marco Serra

 

O Arpoador também é um espetáculo à parte para quem está na areia, no calçadão ou na pedra. A principal atração é o sol se pondo atrás do Morro Dois Irmãos (inverno) ou caindo sobre o mar (verão), espetáculo que é aplaudido por centenas de pessoas.

 

Pôr do sol no Arpoador – Foto: Marco Serra

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